Fitoestrogênios
A fonte da Eterna Juventude sempre foi um sonho perseguido pela humanidade. No decorrer do século passado, a expectativa de vida aumentou consideravelmente. Antes, a menopausa correspondia não só ao fim do período reprodutivo, como também ao final da própria vida. Com esse aumento de anos de vida, a menopausa passou a marcar o início de uma nova fase da vida. Ainda resta um terço para ser vivido. Não basta, entretanto, viver mais; é preciso viver bem, com boa qualidade de vida. Com mais razão ainda as mulheres ansiavam por adiar o envelhecimento, buscando a eterna juventude.
Na década de 60, surge a grande novidade. Robert Wilson propõe uma revolução no acompanhamento da menopausa, com a administração de estrogênios. “Feminine forever” era a promessa da eterna juventude. Melhor disposição, pele mais bonita, cura das incômodas ondas de calor. Cedo, entretanto, a prática mostrou-se perigosa, com elevação da incidência do carcinoma de endométrio. Descobriu-se, depois, que esse efeito deletério podia ser superado, desde que associássemos ao estrogênio a administração de progesterona. É verdade que havia, ainda, o problema de discreta elevação da incidência de câncer de mama, mas isso seria amplamente compensado pela melhora do perfil lipídico, da densidade óssea, da diminuição das doenças do coração e daquelas relacionadas com o envelhecimento em geral. O assunto parecia pacífico e eis que, na virada do século, surge o propalado estudo WHI, segundo o qual a análise das condições de saúde de um grande grupo populacional indica que esses esquemas de reposição hormonal não só não diminuíam, como, em determinadas condições, aumentavam perigosamente a incidência de infartos do miocárdio e acidentes vasculares encefálicos. Embora as conclusões de tal estudo já tenha sido contestadas, voltou a acender-se a luz vermelha. Fica a mulher no dilema: aliviar os incômodos causados pela menopausa ou usar um remédio potencialmente perigoso.
É nesse contexto que ela recebe pela mídia a promessa da miraculosa solução para o problema com o tratamento natural com fitoestrogênios.
O que são fitoestrogênios?
São substâncias encontradas em algumas plantas, que têm a capacidade de ligação com os receptores hormonais de estrogênios. Correspondem a 3 grupos principais: Isoflavonas (ginesteina e daidizeina), Lignanos (enterodiol e enterolactona) e Cumestranos (cumestrol e metoxicumestrol). O fato de ligarem-se a esses receptores não significa que exerçam efeito notável. Se considerarmos a potência 100 para o estriol, a da ginesteina será 0,084 e a daidizeina 0,013. (Urbanetz,AA & Petry, A.AC.M.) Mesmo que se aumente muito a dose, não chegam a apresentar efeito clínico. Os estudos científicos mostram ação similar à do placebo.
O Manual do Climatério da Febrasgo (Federação Brasileira de Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia), após analisar detalhadamente essas substâncias, conclui que não existem bases científicas sólidas para o uso da soja integral e das isoflavonas como uma forma de reposição hormonal na pós-menopausa.
O Departamento de Endocrinologia Feminina da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia também concluiu que não há evidências convincentes de que justifiquem o uso de alimentos ricos em fitoestrogênios como substituição à reposição hormonal convencional.
O Prof. Lucas Viana Machado, em artigo publicado na imprensa médica, lembra que estrogênios, por definição, são substâncias que produzem efeitos biológicos tais como desenvolvimento de caracteres secundários, cornificação vaginal, crescimento uterino, comportamento estral nos animais e desenvolvimento de um endométrio proliferativo em animal gonadectomizado; os fitoestrogênios não preenchem nenhum deste requisitos.
Finalmente, cabe ressaltar que é uma falácia chamar a administração de fitoestrogênios à mulher como “terapêutica natural”. Fitoestrogênio é natural em plantas. Na mulher, os hormônios naturais são aqueles produzidos pelos ovários - o estriol, o estradiol e a estrona.
Para saber mais: http://www.lucasmachado.com.br/docs/fitoestrogenios_na_menopausa.pdf
Última atualização ( Seg, 22 de Março de 2010 14:33 )





